Muito
mais que uma canção dos soldados
alemães sobre separação,
despedida e a incerteza de um dia retornar,
"Lili Marleen" foi tema de exposição.
Tratou-se de uma homenagem ao clássico
que virou mito integrante não só
da cultura alemã, um sucesso que virou
história.
A
canção Lili Marleen, popularizada
pela diva Marlene Dietrich entre os soldados
aliados durante a Segunda Guerra Mundial,
foi o tema de uma exposição
na Casa da História Alemã (Haus
der Geschichte), em Bonn. A exposição
englobou mais de 300 objetos, desde discos,
cartas dos soldados, cartazes de filmes e
shows, mas também roupas da época.
O
destaque especial foi para o uniforme usado
por Marlene nos anos 1944 e 1945, nas suas
apresentações aos soldados das
tropas Aliadas na Alemanha e na França.
Presa na roupa está a medalha conquistada
pela estrela, por seus méritos na campanha
antinazista e pelo moral das tropas.
Pode-se
ver ainda o diário de Lale Andersen,
que popularizou Lili Marleen a partir de 1939.
Em 1942, por se corresponder com emigrantes
judeus, os nazistas a proibiram de se apresentar
em público.
Soldado
escreveu a letra – Podem ser
vistos também o manuscrito e a partitura
original da música, ainda mais antiga
do que se imagina. A letra, de Hans Leip,
data de 1915. Em plena Primeira Guerra Mundial,
o soldado de 21 anos rascunhou os versos num
pedaço de papel, pouco antes de deixar
sua caserna, em Berlim, para o front. O que
o inspirou foi a despedida de um jovem soldado
da namorada e de uma amiga, sob a luminária
pública (Laterne). As garotas chamavam-se
Betty, de apelido Lili, e Marleen.
Mas
foram a música, composta por Norbert
Schultze, em 1938, e a interpretação
de Lale Andersen, no ano
seguinte, que transformaram a canção
sentimentalista em propaganda de guerra. A
interpretação da diva Marlene
Dietrich celebrizou a composição,
traduzida para mais de 40 idiomas.
Motivação
para as duas frentes – O curioso
desta música é que ela foi usada
pelos dois lados em conflito. Tratava-se de
mais que uma simples canção
sobre separação, despedida e
incerteza de um dia retornar aos braços
da amada. Desde 1942, a propaganda nazista
não parava de tocar a música,
inclusive na versão em inglês.
Os britânicos revidaram com a mesma
canção, na interpretação
de Anne Shelton, muito popular entre os soldados.
Em
abril de 1942, a guerra da propaganda com
Lili Marleen chegou a um apogeu: a BBC de
Londres divulgou uma paródia antinazista
da canção, interpretada pela
atriz alemã Lucie Mannheim, que havia
fugido da Alemanha. Na estratégica
batalha de Tobruk, na costa da Líbia,
tanto nazistas quanto aliados ouviam a canção
a partir de alto-falantes, instalados na frente
de guerra. Também as tropas soviéticas
aproveitaram-se do motivo, através
de panfletos com apelos aos alemães
para que retornassem às suas "lilis".
Entrementes
a música virou figura cult e objeto
de consumo. A canção já
foi gravada por várias estrelas da
música internacional, serviu de registro
para o nome de uma rosa, de um vinho e serviu
de inspiração para um filme
de Rainer Werner Fassbinder, com Hanna Schygulla.
A exposição aconteceu na Casa
da História Alemã, em Bonn,
no ano de 2002.

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