Cátaros
 

O IV Concílio de Latrão, confirmou as possessões de Montfort, além de propiciar a conciliação dos senhores do Sul com a Igreja, com o compromisso de perseguirem a heresia.

Em 1216, a Provença subleva-se e Montfort trava nova batalha contra os hereges. Com a morte de Inocêncio III, coube a Honório III, lançar uma nova cruzada. Raimundo VII, filho de Raimundo VI, obteve vitória sobre Montfort, na batalha de Beaucaire. Simão morre em 1218, acabando também a cruzada, sem entretanto extinguir a heresia. Amaury, filho de Montfort, oferece as terras conquistadas por seu pai a Filipe Augusto, rei da França que as recusa, seu flho Luís VIII acabará aceitando as terras.

Porém, Raimundo VII, entra em luta com Amaury, para retomar o seu feudo no Languedoc. Em 1224, Luís VIII, liderando os barões do Norte, empreendeu uma nova cruzada que durou cerca de três anos alcançando muitas conquistas até chegar a Avignon, onde termina o cerco contra os hereges. O resultado dessa disputa foi um acordo entre o rei da França e Raimundo VII, pelo qual a filha de Raimundo se casaria com um irmão do rei, consequentemente os domínios disputados passariam para a Coroa da França (tratado de Meaux, 1229). Raimundo VII, teve que se submeter ao rei da França, sendo coagido a reconhecer a vontade da Igreja e atacar a heresia.

A partir de 1240, verifica-se novas revoltas no Midi. Numa revolta em Avignoret, alguns inquisidores são assassinados, como consequência a cidade foi conquistada, e retomada a cruzada.

Montségur, o grande reduto dos cátaros, é atacado e tomado de assalto em 1243. Durante o ataque os cátaros, conseguiram retirar seu "tesouro" do castelo e escondê-lo (alguns acreditam que se tratava de riquezas, outros que o tesouro eram livros ou então apenas alusão a sabedoria dos Perfeitos). A queda de Montségur marca o fim da Igreja Cátara organizada. Alguns sobreviventes se refugiaram na Catalunha e na Itália. Uma outra fortaleza a de Quéribus, caíra em 1255.

Pierre Authié, adepto do catarismo, continua a divulgar a doutrina, sendo preso em 1310, quando se dirigia a Castelnaudary e condenado a morte na fogueira. Guillaume Bélibaste e Philippe d’Alayrac, ambos cátaros, fogem da prisão em Carcassone. Philippe acaba sendo capturado e queimado. Bélibaste refugia-se em Mosella, nas montanhas de Valença, e acaba sendo traído por Arnaud Sicre (de família cátara), que tentava reconquistar os bens de sua família, espionando para a Inquisição. O último ministro cátaro, fora queimado em Villerouge-Termenès, em Corbiéres, por ordem do arcebispo de Narbone, em 1321.

Instauração da Inquisição

A instauração da Inquisição, está ligado ao momento em que a Igreja se torna parte de um sistema institucionalizado de dominação feudal. Com o triunfo do catolicismo no Baixo Império Romano, no século IV, a Igreja e o Estado se estabelecem com identidade de interesses, a heresia passa a identificar-se como crime político. Entre os séculos V e IX, a Igreja foi consolidando sua hegemonia, impondo uma unidade ritual, buscando unir as diversidades religiosas.     Em 1216, institui-se a ordem mendicante dos pregadores de S. Domingos. Com o objetivo de não só pregar a fé católica, mas de agir em sua defesa. Pouco depois, nasceria a idéia de um tribunal organizado no combate as dissidências religiosas. A heresia cátara fornece ao papado a oportunidade de transformar em realidade o seu poder político repressivo. No ano de 1233, o papa Gregório IX, promulga duas bulas, nas quais decide mandar monges dominicanos aos locais onde havia focos heréticos. E em 1252, uma bula do papa Inocêncio IV, completatá o processo de institucionalização da Inquisição como tribunal.

Durante os processos inquisitoriais, não era permitido a defesa legal, sendo proibido o apelo à sentença. A tortura seria aplicada não só aos acusados, mas também aos que os acorbetassem. S. Agostinho, considerava a tortura um meio útil para devolver ao rebanho as ovelhas desgarradas, já que estas só causariam dano a sociedade.

O papa era o inquisidor-mor, lhe cabendo a incumbência de designar inquisidores. Os inquisidores dominicanos, chegaram a França, em 1233, onde foi instalado o primeiro tribunal permanente da Inquisição. As violências e perseguiçôes se salientaram entre os anos de 1277-1278, os inquisidores chegaram a ser repelidos em Béziers e Carcassone (1296), pelo povo e pelas autoridades municipais, havendo uma queda na simpatia popular da Inquisição.

O catarismo desaparecerá completamente do território francês, após ter sido extirpada de Montaillou, última aldeia francesa que ainda sustentava esta heresia no início do século XIV.

A Igreja Católica usou de vários meios para eliminar a heresia, no início tentou converter os hereges pela pregação dos monges, depois através da excomunhão dos pecadores, e finalmente o que obteve maior resultado a Inquisição. As heresias acabaram por alertar a Igreja para seus problemas espirituais e de que seria necessário uma reforma, principalmente no que se refere a corrupção do clero. Porém a maior crítica à Igreja da Idade Média, centrasse no abuso de seu poder, a opressão  à liberdade religiosa, à liberdade de consciência, ao direito de escolher.

O movimento herético cátaro (séc. XII-XIV), é importante para se compreender os processos utilizados pela Igreja na repressão. A instauração da Inquisição que ocorre nesse período, perpetua-se até o século XIX.

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