As Rotas Comerciais
e as Feiras Medievais
0
comercio medieval
se realizava em
dois níveis:
entre as aldeias,
castelos e burgos
voltados para as
necessidades locais
como cereais, madeira,
instrumentos de
ferro, etc; entre
o Ocidente e o Oriente,
envolvendo artigos
de luxo (tecidos
finos, especiarias,
perfumes, pergaminhos).
Duas grandes rotas
ligavam toda a Europa.
A rota do norte
partindo da Inglaterra,
se estendia pelo
mar do Norte e Báltico,
alcançando
a Rússia
e a Escandinávia.
Seus principais
centros eram as
cidades de Bruges
(Flandres) Londres
(Inglaterra) e Lubeck
(Alemanha), movimentando
cereais lã,
sal, vidro, armas,
ferro, chumbo, corantes
e vinho.
A rota mediterrânea
ligava as cidades
italianas aos portos
do norte da África
(aonde chegavam
caravanas árabes
do interior do continente,
trazendo marfim,
ouro em pó,
peles e plumas)
e do Mediterrâneo
oriental, Alexandria
e Bizâncio
(aonde chegavam
especiarias e produtos
vindos da índia
e da China).
Estes importantes
pólos comerciais
estavam interligados
por rotas terrestres
e fluviais, através
dos Alpes e pelos
rios Rodamo, Reno,
Danúbio Mosa,
Vistula e Dnieper.
Ao longo desses
caminhos se estabeleciam
às feiras
medievais, locais
onde, em determinadas
semanas do ano,
se reuniam mercadores
vindos das diversas
regiões com
seus pro dutos variados:
especiarias orientais,
lãs da Inglaterra,
sedas de Bagdá,
brocados de Damasco,
peles, cereais,
madeira, cobre,
ferro, estanho,
alúmen sal,
cerveja, vinhos
mel, azeite, tintas.
As maiores feiras
- Lagny-sur-Marne,
Bar-sur-Aube, Provins
e Troyes - estavam
localizadas no condado
de Champagne, no
nordeste da França,
região estrategicamente
situada entre a
rota do norte e
a mediterrânea.
Os condes de Champagne,
para aumentar seus
rendimentos, contribuíram
para o desenvolvimento
das feiras, dando
proteção
e salvo-condutos
aos mercadores,
facilitando o armazenamento
de mercadorias,
isentando-os do
pagamento de impostos
e perseguindo os
desonestos.
A
região possuía.
também um
importante setor
manufatureiro, destacando-se
os tecidos de linho
de Reims e os tapetes
de Provins. A partir
das feiras e das
cidades, centros
de consumo e de
trocas, a função
e a importância
dos cambistas e
banqueiros aumentaram
enormemente; desenvolveram-se
praticas financeiras
como o uso de letra
de câmbio
(promessa de pagamento
de determinada soma
em local diferente
do da transação),
empréstimos
a juros, depósitos,
cheques. Houve uma
necessidade cada
vez maior do uso
da moeda para se
efetuarem negócios
Moedas de ouro e
de prata, de valor
elevado, foram cunhadas
pelos governantes
das cidades italianas
(o florim florentino,
o ducado Veneziano)
e pelos reis franceses,
ingleses, espanhóis
e alemães.
As cidades italianas
atuavam no comércio,
de maneira independente
umas das outras,
havendo mesmo rivalidade
entre elas. Mas,
ao norte, surgiu
uma grande associação
reunindo cerca de
90 cidades ale más,
denominada Liga
Hanseática
ou Hansa Teotônica.
Sob a liderança
de Lubeck, a Hansa
passou a dominar
e monopolizar o
comércio
no mar Báltico
e no mar do Norte
impedindo a entrada
de mercadores estrangeiros
nessa região.
Por volta do século
XIII, Gênova,
Veneza e as cidades
da Liga Hanseatica,
fugindo dos perigos
das rotas terrestres,
criaram uma via
marítima
direta, passando
por Lisboa, Londres
e Bruges. No século
XIV, com a fixação
dos mercadores em
determinados centros
como Londres, Paris,
Bruges e Flandres
as feiras entraram
em declínio
"0 modesto
comércio
medieval, limitado
na Alta Idade Media
(séculos
VI ao X) às
vias fluviais, ao
desenvolver-se lentamente
ao longo das rotas
terrestres entre
os séculos
XI e XIV e ao aventurar-se
aos mares, de Alexandria
a Riga, pelas rotas
do Mediterrâneo,
do Atlântico
do canal da Mancha,
do mar do Norte
e do Báltico,
preparava a expansão
comercial da Europa
moderna. (LE
GOFF, J., op. cit.
v. 1, p. 111.)
A FEIRA DE LENDIT
0 Lendit encontrava-se
na estrada que ligava
Paris à abadia
de Saint Denis.
Cada ano, no mês
de junho, expunham-se
ali as relíquias.
Estas procissões
atraíam grandes
multidões
e, por ocasião
destas festas, realizava-se
uma feira. Possuímos
um pequeno poema
do século
XIII, a "Convenção
de Lendit11 que
e como um guia da
feira. Sigamos nosso
autor:
Eis
primeiramente os
"regateadores"
que vendem comestíveis
a picado, os cervejeiros
(a cerveja é
uma bebida fermentada),
"taberneiros,
depois tapeceiros.
Bem perto deles
estão os
capelistas"
e depois a "feira
do pergaminho"
onde professores
e estudantes de
Paris vinham abastecer-se.
"Em
seguida entro num
plano, onde se vende
couro cru (não
1 trabalhado) e
lã. Venho
pela ferraria, em
seguida encontro
a bateria (onde
se vende metal batido
e trabalhado). Cordovaneiro
e albardeiro, seleiro
e freeiro (vendedor
de freios para cavalos)
e cordoeiros cânhamo
fiado e cordovão"
Eis
"os que vendem
o gado, vacas, bois,
ovelhas e porcos.
E aqueles que vendem
cavalos, ronsins,
palafren, cavalos
de torneio, o Os
melhores que se
podem encontrar,
jumentos, potros,
palafrens. Tais
como precisam condes
e reis... Tudo vem
a Lendit".
Participam
da feira, alem de
Paris, todas as
cidades do norte
do reino.
(Segundo
M. Poête,
Paris, t. I.,, A.
Picard ed.. Citado
por ALBA, A., op.
cit. P. 134 a 136.)
Autores:
Fábio Costa
Pedro e Olga M.
A. Fonseca Coulon.
História:
Pré-História,
Antiguidade e Feudalismo,
1989
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