Planejando a Educação Física Escolar
A Educação Física Escolar ao deixar de ser considerada, por lei (LDB 5.692/71), como atividade para ser considerada, por lei (LDB 9.394/96), como componente curricular, assumi um novo papel no contexto educacional. Esse novo papel vem atender aos longos processos de discussões e produções mais fortemente iniciados nos anos oitenta. Trata-se de um papel pedagógico formativo e informativo de nossas crianças, jovens e adolescentes, integrantes do processo educacional. Formativo no sentido de estar contribuindo com aspectos relacionados ao desenvolvimento físico, social e psicológico e, informativo, no sentido de estar contribuindo com os aspectos relacionados à transmissão e produção do conhecimento vinculado ao objeto de estudo da área – o movimento humano.
Esse entendimento exige que a Educação Física Escolar seja estudada e organizada de forma a atender o máximo possível a condição formativa e informativa. Para tanto, coloca-se como ponto central dessa inserção pedagógica o planejamento, etapa imprescindível à estruturação e desenvolvimento de um componente curricular.
É senso comum entender a Educação Física como o momento do jogar, do brincar e não o momento do refletir, pesquisar, analisar e avaliar. O processo histórico, que não temos a intenção de resgatar aqui, pois supõe-se de conhecimento geral e uma vez que muitos autores já o fizeram de várias maneiras e formas, pode muito bem justificar e clarear o porque desse senso comum – atividade com fim em si mesma, recreação, esporte por esporte e tantos outros significados vazios. Esta prática, por vezes, acaba levando os docentes ao improviso e ao desenvolvimento de atividades sem a devida preparação, organização e sentido.
Desta forma, pretendemos neste trabalho, apresentar uma possibilidade de estruturação da Educação Física Escolar, de forma a propiciar um sentido e um processo de sistematização dos conteúdos da área com vistas a subsidiar as intervenções pedagógicas.
O principal questionamento quando trabalhamos com o planejamento curricular é o seguinte: Como organizar os conteúdos da Educação Física Escolar?
Os professores têm muita dificuldade em estar organizando a sistematização dos conteúdos. Quando trabalhar e com o que trabalhar em cada uma das séries? As demais disciplinas possuem conteúdos sistematizados que indicam claramente o que trabalhar ao longo dos anos escolares, mas a Educação Física não o possui e isso acaba por gerar dúvidas e trabalhos desarticulados e sem seqüência lógica.
Isso é fundamental para qualquer organização curricular que se pretenda. No que diz respeito ao planejamento e sistematização dos conteúdos da Educação Física Escolar tem-se a dúvida: deve atender ao desporto, à linha desenvolvimentista que considera os níveis de desenvolvimento e complexidade das ações motoras, à vertente da cultura corporal ou outra linha de trabalho?
Desprezar qualquer linha de pensamento ou de prática pedagógica, é como estar limitando a ampliação e complexidade das possibilidades pedagógicas que cada uma delas traz implicitamente. Sendo assim, é importante que os docentes se apropriem de todos os conhecimentos possíveis e que, por intermédio deles, elaborem matrizes curriculares a ponto de propiciarem avanços pedagógicos palpáveis e úteis ao momento histórico que esteja vivendo.
Contudo, faz-se necessário entender as limitações tanto pessoais quanto estruturais dos avanços. Isso pode minimizar choques e retrocessos pedagógicos traumáticos para todos que participam do processo educativo.
De acordo com Sacristán (1992, p.312), o professor não atua seguindo modelos formais ou científicos, nem elabora estratégias de intervenção precisas e inequívocas segundo modelos de ensino ou de aprendizagem, nem decide a sua prática a partir de filosofias ou declarações de objetivos, pelo fato de responder pessoalmente, e na medida de suas possibilidades, com diferente grau de comprometimento ético-profissional, às exigências do seu posto de trabalho com um grupo de alunos em condições determinadas. Porém, não podemos concluir que, por isso tudo, é um mal profissional.
Na sua atividade prática, pode aproveitar idéias e teorias científicas, muito embora se trate sempre de uma elaboração pessoal perante situações complexas em que se deveria contar com o tacto, com a experiência e com o saber-fazer, depurados por uma crítica realizada a partir dos valores que guiam a ação e a partir do melhor conhecimento possível da realidade e de como esta poderia ser.
O conhecimento científico e as teorias pedagógicas, são importantes para conhecermos melhor, para nos conscientizarmos das conseqüências e para descobrir, com mais clareza, caminhos alternativos. Porém, em si mesmas, não orientam diretamente a prática docente.
O autor nos aponta, de forma bastante clara, que entendermos o nosso cotidiano, nossas condições e realidade se coloca como ponto central nas possibilidades de avanços na prática pedagógica. A leitura, compreensão e domínio dos conhecimentos e teorias pedagógicas se fazem como base do saber-fazer, entretanto as variáveis das condições locais, estrutura, possibilidades de ações, administração, demais docentes, alunos e tantas outras, impedem, por vezes, a aplicação de novas ações em sua plenitude. Isso deve servir de alerta e, ao mesmo tempo, de reflexão para avanços gradativos e continuados. Neste sentido destacamos também o trabalho de Oliveira (1999) que demonstrou como atuar de forma gradativa na implantação de novas propostas metodológicas e os percalços que o docente vivencia nesta mudança.
Assim colocado, como a Educação Física pode ser pensada e organizada no meio escolar?
O primeiro passo ao qual devemos no dedicar é o de uma visão macro da área. Os Parâmetros Curriculares Nacionais os definem como blocos (a) esportes, jogos, lutas e ginásticas; (b) atividades rítmicas e expressivas e (c) conhecimento sobre o corpo. Porém, entendemos que os conteúdos da Educação Física exigem uma ampliação e redefinição desta sugestão, ou seja, classificamos como núcleos de concentração e procuramos ampliar suas abordagens e propiciar maior complexidade deixando-lhes o movimento humano como objeto de estudo e não apenas modalidades esportivas. Desta forma, os estruturamos como: a) o movimento em descoberta e estruturação; b) o movimento nas manifestações lúdicas e esportivas; c) o movimento em expressão e ritmo e d) o movimento e a saúde onde:
a) O movimento em descoberta e estruturação: compreende a fase inicial do movimento humano, ou seja, a descoberta e a vivência exploratória. Os conteúdos relacionados a este núcleo cuidarão de oferecer uma formação suficiente à vivência e ao entendimento do mundo motor de base. A fase de estruturação compreenderá os conhecimentos afetos à reelaboração e adaptação do mundo motor ao atendimento das diversas manifestações construídas e praticadas pelo homem;
b) O movimento nas manifestações lúdicas e esportivas: compreende o estudo da cultura elaborada em relação ao mundo motor. Contemplar o maior número de experiências e vivências dentro do que o homem criou e estruturou no mundo motor é a função básica deste núcleo. A sociedade pode ser demonstrada e estudada por meio dos conteúdos deste núcleo e, o estudo pormenorizado dos conteúdos aqui tratados, poderá contribuir no entendimento maior de como esta se organiza. Os jogos e esportes e suas múltiplas variações são os componentes centrais;
c) O movimento em expressão e ritmo: o corpo e suas possibilidades motoras é muitas vezes esquecido em sua beleza e condição expressiva. Realçar esta faceta de fundamental importância na estruturação biopsicológica de nossos alunos é função deste núcleo. A escola é um dos poucos espaços sociais onde as habilidades artístico-motoras podem ser vivenciadas, exploradas e, assim, contribuir na formação de um sujeito que consiga perceber e entender um pouco melhor a arte, o seu próprio corpo e suas possibilidades. As artes cênicas e a ginástica são os grandes componentes deste núcleo;
d) O movimento e a saúde: o movimento coloca-se como elemento imprescindível às condições básicas de saúde, assim este núcleo deverá abarcar as questões básicas da higiene, saúde e atividade física permanente. Este núcleo, da mesma forma que os demais, é constante em toda a vida escolar do aluno. Ao encerrar o ensino médio, a última etapa da Educação Física curricular obrigatória, o aluno deverá possuir autonomia sobre os conhecimentos relacionados ao corpo, suas condições básicas de higiene e de como se organizar para uma vida saudável fazendo uso dos conhecimentos aqui trabalhados.
A apresentação dos núcleos e suas nomenclaturas deve ter deixado claro que entendemos o objeto de estudo da Educação Física como sendo o movimento humano. Este entendimento é baseado nos estudos fenomenológicos de Merleau Ponty (1994), nos estudos sobre a motricidade humana de Sérgio (1995), e nas propostas de ensino aberto de Hildebrandt e Laging (1986), Grupo de Trabalho Pedagógico (1991) e Gallardo, Oliveira e Araveña (1998).
Para melhor visualização dos conteúdos dos núcleos temáticos, organizamos o quadro abaixo:
|
Núcleos |
Conteúdos Básicos |
|
a) o movimento em descoberta e estrutu-ração |
Habilidades motoras de base (locomotoras, não-locomotoras, manipulativas, coordenação viso-motora), esquema corporal, percepção corporal |
|
b) o movimento nas manifestações lúdicas e esportivas |
Jogos (motores, sensoriais, criativos, intelectivos e pré-desportivos); Esporte Institucionalizado (basquetebol, voleibol, handebol, atletismo, futebol, futsal, ciclismo, outros) e Esportes Alternativos (capoeira, escaladas, caminhadas, passeios, bets, malha, peteca, outros) |
|
c) o movimento em expressão e ritmo |
Ginástica, Dança, Brinquedos Cantados, Cantigas de Roda, outros |
|
d) o movimento e a saúde |
Higiene e Primeiros Socorros, Ergonomia, Bases Anátomo-fisiológica do corpo humano, Bases nutricionais, Aspectos básicos da metodologia do treinamento, Avaliações do crescimento, desenvolvimento, composição corporal e aptidão física |
Os conteúdos apresentados no quadro acima demonstram, de forma ainda reduzida, a riqueza de conteúdos que a Educação Física Escolar pode utilizar em suas práticas e superar a mesmice que adota no sistema escolar que causa desânimo e desinteresse nos alunos ao longo da vida escolar (Oliveira, 2001).
A partir do momento que um quadro de organização geral dos conteúdos e núcleos foi definido (Quadro 01), deve-se partir para o segundo passo, que é o da distribuição destes núcleos em forma proporcional a ser destinado ao longo da vida escolar, considerando-se as etapas de crescimento, desenvolvimento e maturação sócio-cognitiva e motora dos alunos.
O Quadro 02 abaixo apresenta uma sugestão de como pode ser organizada essa distribuição e a Figura 01 representa visualmente esta distribuição. Todavia, deve ficar claro que os docentes devem organizar esta distribuição de acordo com sua realidade.
|
Ed. Infantil |
Ensino Fundamental |
Ens. Médio |
|||||||||||
|
I |
II |
III |
1a |
2a |
3a |
4a |
5a |
6a |
7a |
8a |
1o |
2o |
3o |
|
|
a) o movimento em
descoberta e estruturação |
50% |
50% |
45% |
40% |
40% |
30% |
30% |
20% |
15% |
10% |
10% |
10% |
5% |
5% |
|
b) o movimento nas manifestações lúdicas e esportivas |
15% |
15% |
20% |
30% |
30% |
30% |
30% |
40% |
45% |
50% |
50% |
45% |
40% |
40% |
|
c) o movimento em expressão e
ritmo |
30% |
30% |
30% |
20% |
20% |
20% |
20% |
15% |
15% |
10% |
10% |
10% |
15% |
15% |
|
d) o movimento e a saúde |
5% |
5% |
5% |
10% |
10% |
20% |
20% |
25% |
25% |
30% |
30% |
35% |
40% |
40% |

Para a distribuição percentual dos núcleos foram levados em consideração, além dos componentes, os interesses que os alunos manifestam ao longo da vida escolar. A percepção deste interesse foi extraída de forma empírica e através da vivência junto às escolas em projetos de ensino e pesquisa realizados na Universidade Estadual de Maringá.
Pode-se perceber que o núcleo “a” tem um desenvolvimento decrescente. Este processo baseia-se no desenvolvimento e amadurecimento dos aspectos motores das crianças, jovens e adolescentes. Passa-se pela fase da vivência e descoberta com intenção de se chegar à fase da exploração e reconstrução do mundo motor. A fase de reconstrução acaba por exigir elementos outros que não apenas o movimento isolado, mas, este, atrelado às manifestações corporais construídas pelo homem, os esportes, as danças, ginásticas e outros. E esses componentes estão também contemplados nos demais núcleos, fazendo assim uma interface de conteúdos e objetivando muito mais do que simplesmente aprender uma badeja do basquetebol ou uma cortada do voleibol. O movimento deve ser discutido, entendido e reconstruído de acordo com as possibilidades de cada aluno.
Para melhor entendimento dessa seqüência vejamos:
Educação Infantil: descoberta dos movimentos fundamentais – fases: inicial, elementar e madura (Gallahue e Ozmun, 2001, p.100), desenvolver o maior número possível de vivências e variações procurando levar os alunos a perceberem as condições motoras;
Educação Fundamental (1a à 4a série): exploração dos movimentos fundamentais. Coloca-se como uma fase onde as vivências devem ser intensificadas e ampliadas em graus de complexidade. Nesta fase as combinações devem ser estimuladas e exploradas com o propósito de uma sólida fundamentação do âmbito motor básico.
Educação Fundamental (5a à 8a série): especialização dos movimentos fundamentais e adaptação aos modelos padronizados das manifestações culturais. A sólida estrutura organizada no período anterior deve permitir que os alunos consigam se adaptar com facilidade às exigências motoras das manifestações culturais lúdico/esportivas e ampliar esta adaptação construindo formas alternativas do âmbito motor. É o momento onde os alunos estarão estruturando modelos próprios para vencer os obstáculos motores, por isso se trata de uma fase de muitas experiências.
Ensino Médio: aperfeiçoamento dos movimentos básicos e especializados. Neste período os alunos estarão dando a forma final e inovadora de como pretendem participar das manifestações culturais lúdico/esportivas. A estruturação motora atinge o ponto alto nesta fase e serve como elemento fundamental por toda a vida.
Em relação ao núcleo “b” o do movimento nas manifestações lúdicas e esportivas, pode-se perceber uma sugestão de ordem crescente ao longo de toda a vida escolar. Para que haja um aproveitamento adequado de nossas manifestações lúdico/esportivas faz-se necessário uma ampla base dos movimentos fundamentais. Assim, considerou-se um percentual menor nas fases iniciais com ênfase no término da 8a série, período do ápice das experiências lúdico/esportivas com pequeno recuo nas séries subsequentes. O ensino médio é a última etapa de uma intervenção sistematizada da Educação Física, portanto uma atenção maior deve ser dada aos aspectos de estruturação de conhecimentos para a futura prática da atividade física, que esperamos possa se constituir na prática permanente da atividade física para todos.
Um pequeno exemplo de estruturação seqüencial que pode ser organizado:
Educação Infantil: aplicação de jogos de baixa organização onde as crianças possam vivenciar de forma variada e estimulante as formas básicas de locomoção e ampliar o leque motor;
Ensino Fundamental (1a à 4a série): nesta fase a combinação dos movimentos é a tônica. A introdução de manifestações lúdico/esportivas se dará por intermédio dos grandes jogos e da prática do esporte básico que atende à ampliação motora geral que é o atletismo. Entretanto, salienta-se que o atletismo é utilizado apenas como elemento estimulador e estruturante e não como elemento finalizador das ações e do próprio esporte. É importante salientar que a variação e aplicação de esportes alternativos são um fator determinante na motivação dos alunos.
Educação Fundamental (5a à 8a série): esta fase caracteriza-se como a fase do aprendizado dos desportos institucionalizados. Isto se convencionou historicamente na Educação Física e hoje é mantido em grande parcela das escolas. Os alunos ao iniciarem a 5a série já esperam por estes conteúdos e práticas. Entretanto, pode-se ampliar esta expectativa oferecendo-se uma gama maior de opções em relação aos esportes aplicados, com ênfase nos esportes alternativos e na valorização de todos os participantes, independentemente de suas condições de performance. O valor, integrador e socializador, deve ser o norte desta etapa que se coloca como fundamental para a estruturação da personalidade de nossas crianças.
Ensino Médio: o aluno já está preparado para o enfrentamento das mais complexas operações motoras. Deve ser estimulado a ampliar e reorganizar as ações motoras com vistas à ampliação do grau de complexidade das mesmas, ou seja, ser colocado frente a situações motoras onde sua criatividade possa superar a ação básica do adaptar-se. A fase criativa e inovadora deve ser fortemente estimulada. É onde os desportos e suas variações podem contribuir por intermédio de seus sistemas organizacionais, estruturais e de exigência motora.
O núcleo “c” o do movimento em expressão e ritmo é um espaço reservado à contemplação da beleza do movimento humano e suas expressividades. A experiência tem nos demonstrado que se trata de um conteúdo com grande aceitação na fase inicial de estudos e com rejeição ao longo do processo. Muitos são os fatores que contribuem para esta “rejeição”, fatores que vão desde o despreparo dos docentes em aplicar de forma variada e rica esses elementos até uma resistência natural dos alunos em seus processos de desenvolvimento, onde nas fases pré-adolescência e adolescência existem uma negação à exposição frente aos demais, aspecto que necessita ser bem trabalhado e adequado para que frustrações não venham a inibir desabrochares futuros nas artes.
Deste modo, considerando esses elementos sugeriu-se um desenvolvimento do núcleo “c” onde são respeitandas essas limitações dando-lhe ênfase nas séries iniciais, com recuo nas séries intermediárias e com novo aumento percentual nas séries finais do ensino médio. A retomada desse núcleo no ensino médio se dá também pela experiência nessa área, pois constatamos que os alunos tornam-se mais receptivos a aulas com temas relacionados às danças populares e atividades expressivas.
Assim, para melhor visualização podemos ter:
Educação Infantil: a predisposição das crianças em participar de atividades dançantes e expressivas deve ser explorada ao máximo. Nesta fase as cantigas de roda, brincadeiras cantadas, festivais, teatrinhos, mostras de danças, contos e outras formas de estar explorando a capacidade rítmica e expressiva deve ser utilizada. As crianças estarão ampliando as capacidades coordenativas e rítmicas ao vivenciarem estas ações e, com isso, solidificando um arcabouço motor de base.
Ensino Fundamental (1a à 4a série): a aceitação das crianças em relação a este núcleo ainda é bastante forte. Neste período são reduzidas as brincadeiras cantadas e incentivadas formas mais estruturadas de séries ginásticas, de danças e de coreografias que devem ser organizadas com o propósito de contribuir na constituição de estruturas motoras mais complexas.
Ensino Fundamental (5a à 8a série): trata-se de um período onde existe a “rejeição” citada anteriormente. Os alunos colocam-se de forma contrária às vivências com danças e expressão corporal. Neste período os docentes deverão organizar ações que possam sensibilizar os alunos e convocá-los para uma participação mais efetiva. O estímulo para com os desportos é muito forte e, o trabalho de convencimento a cuidados e experiências com o ritmo, a dança e a expressão corporal deve ser vinculado aos interesses dos alunos para que não se perca este espaço importante e estruturante do âmbito motor.
Ensino Médio: é uma fase onde o docente volta a ter espaço de intervenção mais efetiva em relação ao núcleo do movimento em expressão e ritmo, pois se trata de uma fase onde as questões de gênero se colocam melhor resolvidas e os alunos aceitam aproximações e ações em conjunto. Outro fator importante é o de se ressaltar a importância que esses conteúdos têm para as questões relacionadas a relaxamento, stress e concentração.
O núcleo “d” o do movimento e a saúde, é a base para a autonomia futura dos alunos sobre os conhecimentos vinculados à saúde e à prática da atividade física permanente. A estrutura proposta foi colocada de forma crescente ao longo da vida escolar, pois acompanha o amadurecimento e capacidade de abstração dos alunos. Os conteúdos deste núcleo estão em estreita relação com as áreas de ciências e biologia. Faz-se necessário não se confundir as ações e as abordagens para que não haja sobreposição de conteúdos das áreas. A interdisciplinaridade deve ser explorada intensivamente neste núcleo.
A organização seqüencial pode ser assim estruturada:
Educação Infantil: uma fase onde os princípios básicos de higiene e cuidados com o corpo devem ser estimulados. Os conteúdos devem ser lembrados e cobrados constantemente nas ações dos alunos. A importância da água, das frutas, do lavar as mãos, das roupas e de alguns cuidados em relação a quedas, pequenas escoriações e outros se colocam como temas importantes de serem observados neste período escolar.
Ensino Fundamental (1a à 4a série): os alunos nesta fase já começam a acessar conhecimentos mais sistematizados e a possuir relações mais diretas com o cotidiano. Assim, torna-se imprescindível abordar conteúdos ligados ao dia a dia e aprofundar as observações dos períodos anteriores. Já é possível iniciar conhecimentos de primeiros socorros em situações como escoriações, batidas, cortes, queimaduras, picadas de insetos e outros mais corriqueiros e que têm relação direta com o cotidiano das crianças. As questões ligadas à higiene e alimentação não devem ser esquecidas e sim lembradas e organizadas a ponto de subsidiar hábitos saudáveis. Quanto aos conhecimentos do corpo e dos movimentos, faz-se necessário abordar os músculos envolvidos nos movimentos, as exigências cárdio-respiratórias e as valências físicas de forma geral.
Ensino Fundamental (5a à 8a série): os conhecimentos devem ser aprofundados e direcionados às ações que são executadas no decorrer das aulas. As exigências físicas, fisiológicas e motoras dos esportes devem ser claramente apresentadas e estudadas para o perfeito entendimento dos praticantes. Os alunos necessitam estar de posse desses conhecimentos para poderem ter consciência de como o corpo é exigido e necessita de ações para estimulações adequadas. Sem dúvida, os conhecimentos sobre primeiros socorro e higiene ganham profundidade e consistência ao longo dos anos, sendo possível a realização de esquetes sobre procedimentos dos casos discutidos e estudados. As condições alimentares devem ser enfatizadas, uma vez que estamos sendo colocados em risco pela adoção de hábitos alimentares irregulares e com conseqüências sociais comprometedoras.
Ensino Médio: agora é a fase de fechamento dos conhecimentos para a autonomia em relação ao mundo motor e suas possibilidades. Os alunos necessitam sair do Ensino Médio com conhecimentos que possam subsidiá-los no cotidiano sobre a prática permanente da atividade física. A autonomia só será possível se as temáticas discutidas forem suficientes para elucidarem os problemas e dúvidas dos alunos e suas necessidades cotidianas. Nesse espaço de ensino é necessário que temáticas como sexo e esporte, drogas e esporte, anabolizantes, política desportiva, esportes alternativos, sedentarismo, religião e esporte, esporte de alto nível, esporte e lazer, tempo livre e outros sejam plenamente discutidas.
Após essa pequena explanação sobre os núcleos e seus percentuais propostos ao longo dos ciclos escolares, salientando que se trata apenas de uma idéia inicial que pode ser modificada e adaptada de acordo com as diversas realidades e interesses, passamos ao terceiro passo que é o da organização dos conteúdos e suas subdivisões. Para esta etapa passaremos a apresentar apenas alguns exemplos dentro de cada um dos núcleos. Os docentes de forma geral deverão pesquisar e procurar suas formas de estarem estruturando este exemplo e os demais conteúdos propostos.
A idéia de estarmos organizando estes conteúdos e fragmentando-os é para nos localizarmos, ano a ano, até onde podemos avançar em relação a cada um dos tópicos e sub-tópicos. Muitas vezes surge a dúvida, se eu trabalho o tema andar e consigo esgotá-lo na primeira e/ou segunda série eu não voltarei a falar sobre o andar novamente? A resposta é simples, sim, só que de forma complementar e de apoio às demais atividades. O que nós precisamos entender é que devemos ter uma organização suficiente que nos apoie em uma estruturação adequada de abordagem dos conteúdos. As teorias demonstram que o andar está na fase madura a partir dos 4 – 7 anos (Eckert, 1993), assim podemos deixar de considerar este tema como objeto de aula a partir da primeira série, mas não deixá-lo de observar nas demais aulas.
Os quadros a seguir demonstrarão como podemos estar organizando os conteúdos da Educação Física. As planilhas estão organizadas de forma que os docentes possam estar conferindo, de acordo com suas possibilidades locais, o atendimento ou não de determinados conteúdos.
Os exemplos são frutos de estudos realizados junto ao Núcleo de Estudos Pedagógicos do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá[1].
Exemplo 01 – Listagem dos conteúdos propostos ao núcleo “a” o movimento em descoberta e estruturação para o eixo movimento da Educação Infantil.
Núcleo “a”) O movimento em descoberta e
estruturação
1-
Habilidades
motoras (exemplificado
parcialmente nos quadros abaixo)
- Locomotoras: andar, correr, saltar, trepar, rolar, quadrupediar, girar, rastejar, escorregar;
- Não-locomotoras: empurrar, puxar, sustentar, balançar, estender, dobrar (flexionar), encurvar, retorcer;
- Manipulativos: empunhar, enrolar.
2- Coordenação visomotora
- lançar, receber, rebater;
- coordenação óculo-manual, quicar, conduzir;
- coordenação óculo-pedal, chutar, conduzir com os pés.
3- Combinações
- andar e: chutar, puxar, balançar, lançar, receber, girar;
- correr e: balançar, transportar, saltar, chutar, arremessar, receber;
- lançar e: receber, rebater;
- saltar e: arremessar, girar.
4- Esquema corporal
- estrutura corporal;
- conscientização segmentária;
- postura: estática e dinâmica;
- respiração;
- sensação dos ritmos cardíacos;
- lateralidade: direita, esquerda, dominância lateral;
- equilíbrio: estático e dinâmico;
- noções básicas de higiene: bucal, corporal, vestimenta.
5- Percepção corporal (sentidos)
- percepção visual;
- percepção auditiva;
- percepção tátil.
Após listagem geral dos conteúdos apresentamos alguns quadros com apenas parte dos conteúdos a fim de possibilitar uma visão geral de como organizar os conteúdos bimestralmente.
1 - HABILIDADES MOTORAS DE BASE
1.a) Locomotoras
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SÉRIES |
JARDIM I
|
JARDIM II
|
JARDIM III |
|||||||||
BIMESTRES
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1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
|
- na ponta do pé |
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- no calcanhar |
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- lateral interna do pé |
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- lateral externa do pé |
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- para trás |
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- andar lateral |
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- andar lateral cruzado |
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- andar em diferentes velocidades |
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- andar em diferentes direções |
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- andar superando obstáculos |
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- andar em superfície alta e plana |
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SÉRIES |
JARDIM I
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JARDIM II
|
JARDIM III |
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BIMESTRES
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1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
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- para frente |
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- para trás |
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- em zigue-zague |
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- correr lateral (direita/esquerda) |
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- tocando os pés nos glúteos |
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- elevando joelho |
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- em diferentes velocidades |
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- em diferentes direções |
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- contornado obstáculos |
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SÉRIES |
JARDIM I
|
JARDIM
II
|
JARDIM III |
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BIMESTRES
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1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
|
- utilizando as mãos |
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|
- utilizando as mãos e os pés |
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SÉRIES |
JARDIM I
|
JARDIM II
|
JARDIM III |
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BIMESTRES
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1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
|
- em decúbito lateral |
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|
- cambalhotas para frente |
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|
- cambalhotas para trás |
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SÉRIES |
JARDIM I
|
JARDIM II
|
JARDIM III |
|||||||||
BIMESTRES
|
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
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com os dois pés |
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- para frente |
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- para trás |
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- lateralmente |
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com um pé |
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- para frente |
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- para trás |
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- lateralmente |
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em altura |
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- de cima para baixo |
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- de cima para baixo com um pé |
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- debaixo para cima |
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- debaixo para cima com um pé |
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- em distância com os dois pés |
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- em distância com um pé |
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- pular corda em movimento pendular simples |
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- pular corda com os dois pés |
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- pular corda com um pé alternadamente |
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- pular corda simultaneamente |
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- pular corda com o companheiro |
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OBS: Em todas as ações
locomotoras devem ser trabalhadas as variáveis tempo-espaço
1.b) Não-locomotoras
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SÉRIES |
JARDIM I
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JARDIM II
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JARDIM III |
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BIMESTRES
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1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
1º |
2º |
3º |
4º |
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com as duas mãos |
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- para frente |
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- para cima |
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- para baixo |
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- lateralmente |
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com uma mão |
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- para frente |
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- para cima |
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- para baixo |
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- lateralmente |
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com as costas |
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com o quadril |
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com os dois pés |
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- para frente |
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- para cima |
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- para baixo |
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- lateralmente |
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com um pé |
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|
- para frente |
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|
|
- para cima |
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|
- para baixo |
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- lateralmente |
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com a cabeça |
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