Biografia
- 1864
-1920
Alberto
Nepomuceno nasceu no dia 6 de julho de 1864,
em Fortaleza, filho de Vitor Augusto Nepomuceno
e Maria Virgínia de Oliveira Paiva. Foi iniciado
nos estudos musicais por seu pai, que era
violinista, professor, mestre da banda e organista
da Catedral de Fortaleza. Em 1872 transferiu-se
com a família para Recife, onde começou a
estudar piano e violino.
Durante
sua juventude, manteve amizade com alunos
e mestres da Faculdade de Direito do Recife,
como Alfredo Pinto, Clóvis Bevilácqua, Farias
Brito. A Faculdade, nessa época, era um grande
centro intelectual do país; por lá fervilhavam
idéias e análises sociais de vanguarda, como
os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e
Tobias Barreto, além das teorias darwinistas
e spenceristas de Silvio Romero. Foi Barreto
quem despertou em Nepomuceno o interesse pelos
estudos da língua alemã e da filosofia.
Tornou-se
um defensor atuante das causas republicana
e abolicionista no Nordeste, participando
de diversas campanhas. Entretanto, não descuidou
de suas atividades como músico, assumindo,
aos dezoito anos, a direção dos concertos
do Clube Carlos Gomes de Recife. Atuou também
como violinista na estréia da ópera Leonor,
de Euclides Fonseca, no Teatro Santa Isabel.
De
volta ao Ceará com a família, ligou-se a João
Brígido e João Cordeiro, defensores do movimento
abolicionista, passando a colaborar em diversos
jornais ligados à causa.. Devido às suas atividades
políticas, seu pedido de custeio ao governo
imperial para estudar na Europa foi indeferido
.
Em
1885, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro,
indo morar na residência da família Bernadelli.
Deu continuidade aos seus estudos de piano
no Beethoven Club, onde se apresentou ao lado
de Arthur Napoleão. Pouco tempo depois, foi
nomeado professor de piano do clube, que tinha
em seu quadro funcional, como bibliotecário,
Machado de Assis.
A
língua é minha pátria
No
dia 4 de agosto de 1895, Nepomuceno realizou
um concerto histórico, marcando o início de
uma campanha que lhe rendeu muitas críticas
e censuras. Apresentou pela primeira vez,
no Instituto Nacional de Música, uma série
de canções de sua autoria em português. Estava
deflagrada a guerra pela nacionalização da
música erudita brasileira. O concerto atingia
diretamente aqueles que afirmavam que a língua
portuguesa era inadequada para o bel canto.
A polêmica tomou conta da imprensa e Nepomuceno
travou uma verdadeira batalha contra o crítico
Oscar Guanabarino, defensor ardoroso do canto
em italiano, afirmando: "Não tem pátria um
povo que não canta em sua língua".
A
luta pela nacionalização da música erudita
foi ampliada com o início de suas atividades
na Associação de Concertos Populares, que
dirigiu por dez anos (1896-1906), promovendo
o reconhecimento de compositores brasileiros.
A pedido de Visconde de Taunay, restaurou
diversas obras do compositor Padre José Maurício
Nunes Garcia e apoiou compositores populares
como Catulo da Paixão Cearense.
A
sua coletânea de doze canções em português
foi lançada em 1904 e editada pela Vieira
Machado e Moreira de Sá. O garatuja, comédia
lírica em três atos baseada na obra homônima
de José de Alencar, é considerada a primeira
ópera verdadeiramente brasileira no tocante
à música, ambientação e utilização da língua
portuguesa. Os ritmos populares também estão
presentes nesta obra, como a habanera, o tango,
a marcação sincopada do maxixe, o lundu e
ritmos característicos dos compositores populares
do século XIX, como Xisto Bahia, além das
polcas de Callado e Chiquinha Gonzaga.
Em
1907 iniciou a reforma do Hino Nacional Brasileiro,
tanto na forma de execução quanto na letra
de Osório Duque Estrada. No ano seguinte,
a realização do concerto de violão do compositor
popular Catulo da Paixão Cearense, no Instituto
Nacional de Música , promovido por Nepomuceno,
causou grande revolta nos críticos mais ortodoxos,
que consideraram o acontecimento "um acinte
àquele templo da arte".
Ainda
como incentivador dos talentos nacionais,
atuou junto a Sampaio Araújo para editar as
obras de um controvertido compositor que surgia
na época : Heitor Villa-Lobos. Nepomuceno
chegou a exigir que as edições de suas obras,
distribuídas pela Casa Arthur Napoleão, contivessem,
na contra-capa, alguma partitura do jovem
Villa-Lobos
Bibliografia:

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