Biografia
Ernesto
Júlio Nazareth nasceu no Rio de Janeiro em
20 de março de 1863, no Morro do Nheco, hoje
Cidade Nova. Desde menino, Nazareth conviveu
com a música. No piano de sua mãe, D. Carolina,
ou nos saraus familiares, as polcas, valsas
e modinhas eram frequentes. Com a mãe, ele
aprendeu os primeiros acordes de Chopin, Mozart
e Beethoven, além das polcas, um grande modismo
na época. Com a morte de sua mãe em 1873,
passou a ser educado por seu pai, Vasco Lourenço
da Silva Nazareth, um modesto funcionário
da Alfandêga, que, ao sair para o trabalho,
deixava o pequeno Ernesto recluso em casa
o dia inteiro.
Eduardo
Madeira, um jovem pianista amador, foi contratado
para dar continuidade à educação musical de
Ernesto, que fazia enormes progressos e se
revelava um autodidata. Com 14 anos compôs
sua primeira música, a polca Você Bem Sabe,
dedicada a seu pai e editada no mesmo ano
pela Casa Arthur Napoleão. Aos 17 anos, participou
de um recital ao lado de vários músicos famosos,
como o grande flautista Viriato Figueira da
Silva. Compôs Gentes! O imposto pegou? e Gracieta.
Em 1878, compôs a valsa O Nome dela e o tango
Cruz, Perigo! Por essa época, Ernesto se sentia
cada vez mais atraído pelas rodas de choro
e, respondendo à polca do chorão Viriato,
compôs Não Caio Noutra.
No
Rio de Janeiro de 1880 quase tudo era importado
da Europa, das penas de bico de pato às pautas
musicais, incluindo idéias e modismos. Pela
Alfandêga circulavam instrumentos musicais,
violas, pratos, compositores, maestros e companhias
que aqui chegavam para temporadas de óperas
de Bellini, Rossini, Verdi e Carlos Gomes...Na
cidade também eram frequentes as sociedades
musicais como o Club Haydn e o Club Rossini
em São Cristóvão, no qual Ernesto Nazareth
fez sua primeira apresentação em público em
1886. A cidade incorporava o hábito dos concertos,
destacando sempre a presença de algum pianista
europeu: Gottschalk, Arthur Napoleão, Teodoro
Ritter... O Rio de Janeiro importava novos
passos e marcações das danças de salão. Os
mestres de baile, que ensinavam à domicílio,
eram muito requisitados. A valsa foi uma das
primeiras danças em que os pares se enlaçavam
e, por isso mesmo, escandalizou até as cortes
européias.
Em
meados do século XIX, originária da Polônia,
trazida por Mr. Felipe Caton, a polca estreava
na cidade, no Teatro São Pedro. Pelo seu aspecto
brejeiro e alegre, muitos acreditavam que
o novo ritmo surgira nos vaudevilles de Paris.
O Jornal do Comércio assim noticiava: "A polca
é mais uma importação que vem da França, furtada
dos direitos apesar de toda a fiscalização
da Alfandêga..." Pouco tempo depois, surgiam
nos salões e teatros a mazurka, a redowa e
a varsoviana. Outro ritmo que estourava nos
salões cariocas era o tango; não o tango argentino,
mas a fusão "à brasileira" da habanera com
o andamento da polca e às vezes do maxixe
que resultava num ritmo mais brejeiro e alegre
(Horta, Luiz Paulo Dicionário de Música. RJ:
Zahar, 1985). Ernesto Nazareth rejeitava a
designação "popular" de maxixe para as suas
músicas, preferindo a denominação "tango brasileiro".
Os tangos se tornaram a marca principal do
compositor, entre os mais famosos estão Odeon,
Brejeiro e Sertaneja.
Por
volta de 1920, Nazareth foi trabalhar na Casa
Carlos Gomes, na Rua Gonçalves Dias. A função
do pianista era executar músicas para serem
vendidas. O depoimento de José de Oliveira,
o "Juca", companheiro de piano de Nazareth
na loja, ilustra bem esse período: Naquele
tempo a única maneira de conhecer as novidades
musicais era através dos pianistas que as
casas contratavam para as "demonstrações"
...Não havia rádio, os discos eram raros e
o cinema mudo. Isso obrigava o público a fazer
música em casa...As pessoas escolhiam as partituras,
ouvindo o pianista da casa. Lembro algumas
meninas pretensiosas que gostavam de fazer
demonstrações técnicas na frente de Nazareth.
O mestre era muito exigente e não admitia
que suas músicas fossem maltratadas. Quase
sempre mandava suspender a execução, lançando
o seu habitual: Assim não se toca Nazareth
!
No dia 1º de fevereiro de 1934, passeando
(ou fugindo?) da Colônia, Nazareth se perdeu
pelas matas de Jacarepaguá. Foi
encontrado morto três dias depois próximo
à Cachoeira dos Ciganos.
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| Capa
do Álbum de Música para Dança Ed. Bevilacqua
& C. |
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Capa
do tango Feitiço Vieira Machado & Cia
Editores |
Bibliografia:

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