Biografia
Lygia
Fagundes Telles, advogada, contista e romancista,
nasceu em São Paulo, SP, em 19 de abril de
1923. Eleita em 24 de outubro de 1985 para
a Cadeira n. 16, sucedendo a Pedro Calmon,
foi recebida em 12 de maio de 1987, pelo acadêmico
Eduardo Portella.
Filha
do magistrado Durval de Azevedo Fagundes e
de Maria do Rosário de Azevedo Fagundes, passou
a maior parte da infância em cidades do interior
do Estado onde seu pai foi delegado e promotor
público. Voltando à capital, cursou o ginásio
do Instituto de Educação Caetano de Campos,
tendo sido aluna do professor Silveira Bueno,
de quem recebeu os primeiros incentivos para
a carreira literária. Formou-se na Escola
Superior de Educação Física e, a seguir, ingressou
na Faculdade de Direito de São Paulo. Ali
participou ativamente da vida literária universitária,
integrando a comissão de redação das revistas
Arcádia e XI de Agosto.
Casou-se
com o professor Goffredo da Silva Telles Júnior.
Desse casamento tem um filho, Goffredo da
Silva Telles Neto, cineasta. Foi casada depois
com o professor e escritor Paulo Emílio Salles
Gomes, fundador da Cinemateca Brasileira,
falecido em 1977.
Como
funcionária pública, veio a ser Procuradora
do Estado. Foi presidente da Fundação Cinemateca
Brasileira em São Paulo durante quatro anos
e também vice-presidente da União Brasileira
de Escritores.
Começou
a escrever contos ainda adolescente. Estava
na Faculdade quando seu livro Praia viva foi
publicado em 1944. Em 1949, seu volume de
contos O cacto vermelho recebeu o Prêmio Afonso
Arinos da Academia Brasileira de Letras. Mais
tarde, porém, a autora rejeitou seus primeiros
escritos, por considerá-los imaturos e precipitados.
Segundo o professor Antônio Cândido, seu romance
Ciranda de pedra, publicado em 1954, seria
o marco da sua maturidade intelectual. Sua
obra tem merecido a melhor crítica no Brasil
e no exterior, com livros publicados com grande
sucesso. A presença de Lygia Fagundes Telles
na vida literária brasileira é constante também
pela sua participação em congressos, debates
e seminários.
Participou do ciclo de conferências em homenagem
a Machado de Assis, realizado no Centro Cultural
Banco do Brasil, em 1989. Em 1990 esteve na
Suécia, a convite da Sociedade de Escritores
Suecos, para participar, em Göteborg, da Feira
Internacional do Livro; em Buenos Aires, participou
do Congresso de Escritores Ibéricos e Latino-Americanos
e, em março de 1992, do Congresso Internacional
de Escritores, onde apresentou um trabalho
sobre “A personagem feminina segundo Lygia
Fagundes Telles”.
Contos
de Lygia Fagundes Telles figuram em antologias
nacionais e estrangeiras. “Trilogia da confissão”,
premiado no I Concurso Nacional de Contos
promovido pelo Governo do Paraná, figurando
no volume Os 18 melhores contos do Brasil
(1968); o conto “Antes do baile verde”, traduzido
por Georgette Tavares Bastos, conquistou,
em 1969, em Cannes, o Grande Prêmio Internacional
Feminino para Estrangeiros, em língua francesa.
Pela
sua obra literária recebeu diversos prêmios:
Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira
de Letras (1949); Prêmio do Instituto Nacional
do Livro (1958); Prêmio Boa Leitura (1964);
Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro
(1965); Prêmio do I Concurso Nacional de Contos
do Governo do Paraná (1968); Prêmio Guimarães
Rosa da Fundepar (1972); Prêmio Coelho Neto
da Academia Brasileira de Letras (1973); Prêmio
Ficção, da Associação Paulista dos Críticos
de Arte (1974 e 1980); Prêmio Jabuti, da Câmara
Brasileira do Livro (1974); Prêmio do Pen
Clube do Brasil (1977); Prêmio II Bienal Nestlé
de Literatura Brasileira Contos (1984), e
Prêmio Pedro Nava, o Melhor Livro do Ano (1989).
Obras:
Ciranda de pedra, romance (1954); Histórias
do desencontro, contos (1958); Verão no aquário,
romance (1963); Histórias escolhidas, contos
(1964); O jardim selvagem, contos (1965);
Antes do baile verde, contos (1970); Seminário
dos ratos, contos (1977); Filhos pródigos,
contos (1978); A disciplina do amor, fragmentos
(1980); Mistérios, contos (1981); As horas
nuas, romance (1989); A estrutura da bolha
de sabão, contos (1991); A noite escura e
mais eu, contos (1995). De sua obra foi publicada
a Seleta, organização, prefácio e notas da
professora Nelly Novaes Coelho (1971) e Os
melhores contos de Lygia Fagundes Telles,
seleção e prefácio de Eduardo Portella (1984);
Oito contos de amor (1996).
Escreveu,
em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes,
o livro Capitu, adaptação livre do romance
Dom Casmurro (1993).
Bibliografia:

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