1ª Imperatriz do Brasil

O PRIMEIRO IMPÉRIO - D. PEDRO I - 1822 a 1831
A I IMPERATRIZ DO BRASIL - Da. LEOPOLDINA

Arquiduquesa D'Áustria
Princesa Real Consorte de Portugal Brasil e Algraves (1817-1822)
Imperatriz Consorte do Brasil (1822-1826)
Rainha Consorte de Portugal (1826)

• Infância e Adolescência

Em Viena na Áustria, no Palácio de Schünbrunn, em 22 de janeiro de 1797, nascia a Arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, sexta filha do segundo casamento de Francisco I, Imperador da Áustria, e II da Alemanha (1768-1835) com Maria Teresa de Bourbon-Sicília (1772-1807). Seus pais eram primos-irmãos, ambos eram netos de Maria Teresa, a Grande (1717-1780), uma das maiores estadistas do século XVIII.

Sua educação foi primorosa. Normalmente, não se exigia muito das princesas, bastava ensinar-lhes a costurar e bordar, além, claro, de boas maneiras e algumas aulas de piano. Mas não na casa dos Habsburgos. Ali, as mulheres tinham um nível cultural altíssimo, influenciado pelo Iluminismo. Desde pequena, Leopoldina foi submetida a um programa intensivo de aulas diárias, adquirindo conhecimentos científicos, políticos, históricos e artísticos, além de aprender idiomas estrangeiros, incluindo o francês, o italiano, o alemão e o latim. Aos dez anos ficou órfã de mãe.

Um ano depois seu pai se casaria novamente com aquela que Leopoldina descreveria como a pessoa mais importante de sua vida, Maria Ludovica. Prima de Francisco I, como ele, neta de Maria Teresa a Grande. Superava a defunta imperatriz em cultura e brilho intelectual, pois tivera uma educação esmerada. Musa e amiga pessoal do poeta Goethe, ela foi responsável pela formação intelectual da enteada, desenvolvendo na jovem o gosto pela literatura, a natureza e a música de Haydin e Beethoven. Não tinha filhos próprios, adotava de bom grado os da antecessora, e esses a chamavam de “querida mamãe”.

A morte da madrasta abalou Leopoldina em 1816. À tia Amélia, irmã de sua mãe, Leopoldina escreveu: “(...) devo-lhe tudo que sou, ela demonstrou-me em todas as ocasiões um amor e bondade verdadeiramente tão tocantes que deveria ser acusada da mais negra ingratidão, caso o meu coração fosse capaz de esquecê-la”. E o próprio Johann Wolfgang Von Goethe confessava em 1821: “Ainda não me refiz da morte da defunta imperatriz; é como se a gente desse pela falta de uma estrela principal que se acostumara a rever agradavelmente todas as noites” (OBERACKER, 1973 : 22)

• Casamento

Em 1805, a família teve que fugir de Viena derrotada por Napoleão, que ocupou o Palácio de Schünbrunn. Para selar a paz com seu maior inimigo, Francisco I teve que casar a filha Maria Luísa (1791-1874), irmã predileta de Leopoldina, com Napoleão Bonaparte (1768-1835). Outra irmã, Maria Clementina (1798-1881), também deixou seu país para desposar seu tio Leopoldo das Duas Sicílias.

Naquela época, portanto, o casamento entre as casas reais era uma espécie de tratado de relações exteriores e tinha interesses dinásticos, políticos e econômicos para os países. Foi pensando numa boa aliança política que D. João, que tinha saído de Portugal também por causa de Napoleão e instalara sua Corte do Rio de Janeiro, desejava casar seu herdeiro com uma arquiduquesa de uma das famílias imperiais mais tradicionais, ricas e poderosas da Europa e nada mais indicado que a Casa da Áustria. Desta forma, com o casamento, ele passaria a integrar a Santa Aliança e se livraria da pressão da Inglaterra, que submetia Portugal ao monopólio econômico, por outro lado, o Imperador Francisco I via no casamento a possibilidade de influência no Novo Mundo, representado pelo Brasil com suas imensas e tentadoras riquezas.

A Arquiduquesa escolhida foi D. Leopoldina. O Marquês de Marialva foi enviado a Viena para negociar o casamento e trazer Leopoldina, então com 20 anos, para o Brasil.

A Inglaterra tentou, por seu diplomata em Viena, arranhar a imagem do príncipe herdeiro português. Falou-se: de suas crises de epilepsia, da vida libertina que ele levava no Brasil e do fato de sua educação não ser das mais apuradas, mas as razões de Estado se impuseram e o casamento foi confirmado.

Depois de uma longa negociação, D. Leopoldina casou-se em Viena, por procuração, com o então Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança, que foi representado pelo Arquiduque Carlos, irmão do Imperador da Áustria. Ela recebeu um medalhão com a imagem de Pedro, preso a um colar de diamantes de primeira água, e achou o noivo lindo. Em carta à irmã Maria Luísa, chegou a compará-lo a Adonis, confessando que já tinha olhado para a imagem mais de mil vezes.

No início de 1817, D. Leopoldina chegava ao Brasil com sua Corte, formada de médicos, zoólogos, botânicos e músicos. A cidade foi toda ornamentada para receber a Princesa com grandes festas. A bordo da galeota real, ela conheceu D. Pedro, por quem já era apaixonada.

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